Entenda as causas do cálculo renal, o uso do cateter duplo J e como a investigação metabólica ajuda a prevenir novas crises de cólica.
Por Dr. João de Alcântara Cheloni
Você sabia que cerca de 10% das pessoas sofrem com os famosos cálculos renais? As "pedras nos rins" formam-se, na maioria das vezes, devido ao acúmulo de cálcio na urina — seja porque ele está em excesso no sangue ou porque os rins o estão depositando ali de forma indevida. Com o tempo, esses minerais se agrupam e criam pequenos cristais que podem crescer silenciosamente.
O problema costuma dar as caras quando o cálculo se movimenta. É nesse momento que surge a temida cólica renal: uma dor lombar intensa, frequentemente acompanhada de náuseas e vômitos, que leva muitos pacientes diretamente ao pronto-socorro. Para um diagnóstico preciso, exames de imagem como a ultrassonografia ou a tomografia são essenciais, pois revelam o tamanho, a localização e a dureza da "pedra".
A boa notícia é que o tratamento evoluiu muito e é totalmente personalizado. Em casos simples, medicamentos via oral podem ajudar o corpo a expelir o cálculo naturalmente. Já para pedras que precisam de uma "ajudinha" externa, existem diversas técnicas cirurgicas que utilizam fluxo de soro e energia laser para framentar os calculos.
Em algumas situações, como calculos muito grades, quando a dor é insuportável ou o rim está sofrendo por conta do calculo, a solução é a Ureterorrenolitotripsia. Apesar do nome complexo, é um procedimento minimamente invasivo: através de uma técnica endoscópica (sem cortes), o urologista chega até a pedra e a pulveriza com laser.
Um ponto que costuma gerar dúvidas — e certo receio — é o uso do cateter Duplo J. Mas não há motivo para pânico: ele é um grande aliado da sua recuperação. Esse dispositivo pequeno e maleável serve para "desafogar" o rim quando o cálculo não pode ser retirado de imediato (como em casos de infecção) ou para garantir que, após a cirurgia a laser, os fragmentos saiam sem causar novas obstruções.
Embora possa causar um leve incômodo urinário em alguns pacientes, o seu uso é extremamente seguro e, na maioria das vezes, temporário. Ele funciona como uma "ponte" para garantir que o trajeto entre o rim e a bexiga permaneça livre e funcionando perfeitamente.
Não menos importante: após o diagnóstico, é fundamental investigar a causa da formação do cálculo. Embora a baixa ingestão de água seja a grande vilã para a maioria da população, não podemos ignorar fatores metabólicos e genéticos individuais.
Investigar a origem das pedras permite planejar com cuidado e precisão a forma de prevenção, evitando que novas crises aconteçam.
Se você já teve cálculos ou sente desconfortos lombares, procure um urologista. Tratar o sintoma é urgente, mas entender a causa é o que garante sua qualidade de vida a longo prazo.